20 de agosto de 2017

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Felicidade

Por mais que nos ensinem, felicidade é uma coisa muito pessoal e intransferível. O que pode ser bom para uns, não necessariamente representa total  conforto e alegria para outros.

Quando ainda bem jovem, minha mãe ou meu pai me levavam na escola, onde eu relutava em voltar para casa. Não que o grupo escolar fosse ruim, longe disso, alí estavam meus primeiros amigos, minhas primeiras referencias na vida. Mas o certo era que alguma coisa me impedia de ficar.

Hoje entendo que voltar para casa com da. Magdalena ou “seo” Mylton, eram estar com as pessoas que mais me deixavam seguro e feliz. Nossos pais sempre serão nossas maiores referencias. E assim, como nós para nossos filhos, porém, sem interferir na personalidade de cada um deles.

Outra imagem que ficou foi aquela casa simples com cercas de bambus, onde a cozinha guardava um piso de tijolos cravados ao chão, encerados impecavelmente com vermelhão.

Um fascinante brilho transparecia, assim como a felicidade que da.Geny, a matriarca da família Guatura, nos recebia todas as vezes que iamos visita-la. Uma família de dez filhos, além dos sobrinhos, parentes e tantos amigos.

Por vezes eramos aconselhados em nossas vidas por aquele casal, que mesmo sem um estudo considerado guardavam enorme sabedoria no trato com a vida. E isso era fundamental para todos que alí passavam. Os melhores aconselhamentos ou direcionamentos para momentos difíceis são dados exatamente por aquelas pessoas que torcem por nós, não necessariamente com frases dóceis e amáveis, mas com palavras alimentadoras e corretivas.

A adolescencia não tardou, surgiram os primeiros ensaios, os encantamentos, as amizades, aquelas brincadeiras de rua, as primeiras preferencias e tantas coisas novas. Curioso é que não precisávamos de quase nada para estar com um sorriso estampado no rosto. Tudo se completava.

Desilusões também eram presentes, mas nada melhor que o dia seguinte, pois na magia da idade tudo se renova da noite para o dia.

Sonhos, vinham como num piscar de olhos trazendo também inseguranças. Toda essa metamorfose da tenra idade traduziam uma abertura que mais tarde entenderíamos o significado. Ali, iniciamos o aprendizado pelo devido sentido da palavra felicidade.

A primeira bicicleta, os patins, aquela camisa, o primeiro boné, um tenis colorido… um olhar daquela pessoa que tanto fazíamos questão de estar por perto, o amigo confidente, ingredientes capazes de brotar uma enorme sensação que mais parecia uma explosão de grandes sentimentos. É verdade que tudo tinha seu preço e seu tempo, o que nunca era o problema. Afinal tínhamos todo tempo do mundo para esperar ou correr a trás de nossos sonhos.

Os dias pareciam voar, eram curtos de mais para tanta atividade e expectativa gerada por tanta adrenalina em nossos corpos. Praticamente se emendavam, não dando espaço para pequenas pausas. Assim eram os nossos dias.

E na frenética correria, muitas coisas deixávamos  para trás, sem respostas ou atenção devida. Afinal, nessa idade a aposta para recuperação ao longo do caminho é uma unanimidade.

O futebol aos domingos, o passeio a São José do Barreiro, a formação dos seletos grupos de amigos, os bailes de formaturas, o baile de debutantes do clube, festas onde tínhamos a oportunidade de rever pessoas que faziam toda a diferença. É bem verdade que na pouca maturidade nem imaginávamos que algumas oportunidades de felicidades passavam em nossa vida sem serem notadas.

O início do curso de direito, aquela visão fantástica da lua cheia, que todos os meses nos presenteava com seu visual impecável. Eram ingredientes que infalivelmente poderíamos chamar de total felicidade. Porém e a essa altura o tempo começava a conspirar com maiores adversidades.

Perdas de pessoas a qual amávamos, rompimentos de relações que até então eram a qualquer juizo incapazes de se separarem. Decisões impensadas, viagens, mudanças, distancias jamais idealizadas. Tudo com seu seu preço e tempo certo.

A um determinado período apenas retratos se tornavam lembranças vivas daquela época.  Muitos daqueles amigos que a um certo momento juravam fidelizar uma amizade, estavam longe. Muitos já casados, outros estudando, haviam também aqueles que já não podiam estar mais conosco e alguns poucos perdidos de nós mesmos.

O descaminho já batia a nossa porta, podíamos senti-lo entre nós. E aqueles que escolheram uma vida melancólica de drogas já não podiam contar com nossa companhia. Não que nos afastássemos, mas por uma decisão pessoal e talvez envergonhados não nos procuravam mais.

Curiosamente quando chegava a época de férias ou feriados prolongados, nos reuníamos para matar a saudade, ver a lua, tocar violão, banhar nos rios, enfim, aproveitar o tempo para colocar a conversa em dia.

Logo ao primeiro relato, percebíamos que apesar da ausência, da saudade e de tantas coisas que tínhamos em comum, existia histórias com tons de felicidades. Pequenas ou grandes conquistas eram motivos de compartilhar com todos  e orgulhosamente, olhares brilhavam de alegria. Fatos ocorridos distante daquele lugar onde achávamos que somente ali pudesse existir a tal felicidade.

Por sua vez, numa cidade onde apenas duas ruas marcavam sua geografia, aqueles que ficaram também compartilhavam um total crescimento, eram felizes e seus filhos tinham as mesmas oportunidades que os nossos de escolher seus próprios caminhos.

A essa altura, felicidade era uma porção de coisas ao mesmo tempo e em todo instante. Começamos enfim a buscar uma definição exata para essa palavra que todo mundo insiste em correr a trás. Felicidade o que seria e onde poderíamos encontra-la?

Mais fácil seja ao invés de achar significados, apenas entende-la, pois ela consiste em um real sentimento capaz de mudar até mesmo o formato de um rosto por um breve sorriso, ou fazer um coração chegar ao seu limite com intrigantes batimentos.

Sabemos também que em determinados momentos, ela nos é tirada sem o nosso consentimento,voltando após um breve período. Nunca nos abandona, pois já nascemos felizes pelo amor que nos foi gerado.

A vida nos ensina que a cada conquista, devemos sempre comemora-la com aquelas pessoas que estão conosco e nos ajudaram ou torceram nessa etapa. Vitórias expressívas ou menos generosas, não importa o tamanho ou sua dimensão. Todas devem e precisam ser compartilhadas, ao menos com a pessoa mais importante de sua vida. Afinal essas pessoas são por natureza eternas torcedoras e não desistem nunca, mesmo no seu eterno silêncio.

Escolas não ensinam felicidades, talvez preocupadas em ocupar sua grade com matérias pré fabricadas, esquecem de formar pessoas. Porém nos rendem a oportunidade de descobrir em cada canto e fora dela que a felicidade é justamente o que nos faz trilhar por esse caminho. As vezes duro, mas necessário. Hora insensato e desumano, mas incapaz de tira-la de nossos planos de vida. Assim é a felicidade.

Por mais que nos ensinem, felicidade é uma coisa muito pessoal e intransferível. O que pode ser bom para uns, não necessariamente representa total  conforto e alegria para outros.

Quando ainda bem jovem, minha mãe ou meu pai me levavam na escola, onde eu relutava em voltar para casa. Não que o grupo escolar fosse ruim, longe disso, alí estavam meus primeiros amigos, minhas primeiras referencias na vida. Mas o certo era que alguma coisa me impedia de ficar.

Hoje entendo que voltar para casa com da. Magdalena ou “seo” Mylton, eram estar com as pessoas que mais me deixavam seguro e feliz. Nossos pais sempre serão nossas maiores referencias. E assim, como nós para nossos filhos, porém, sem interferir na personalidade de cada um deles.

Outra imagem que ficou foi aquela casa simples com cercas de bambus, onde a cozinha guardava um piso de tijolos cravados ao chão, encerados impecavelmente com vermelhão.

Um fascinante brilho transparecia, assim como a felicidade que da.Geny, a matriarca da família Guatura, nos recebia todas as vezes que iamos visita-la. Uma família de dez filhos, além dos sobrinhos, parentes e tantos amigos.

Por vezes eramos aconselhados em nossas vidas por aquele casal, que mesmo sem um estudo considerado guardavam enorme sabedoria no trato com a vida. E isso era fundamental para todos que alí passavam. Os melhores aconselhamentos ou direcionamentos para momentos difíceis são dados exatamente por aquelas pessoas que torcem por nós, não necessariamente com frases dóceis e amáveis, mas com palavras alimentadoras e corretivas.

A adolescência não tardou, surgiram os primeiros ensaios, os encantamentos, as amizades, aquelas brincadeiras de rua, as primeiras preferencias e tantas coisas novas. Curioso é que não precisávamos de quase nada para estar com um sorriso estampado no rosto. Tudo se completava.

Desilusões também eram presentes, mas nada melhor que o dia seguinte, pois na magia da idade tudo se renova da noite para o dia.

Sonhos, vinham como num piscar de olhos trazendo também inseguranças. Toda essa metamorfose da tenra idade traduziam uma abertura que mais tarde entenderíamos o significado. Alí, iniciamos o aprendizado pelo devido sentido da palavra felicidade.

A primeira bicicleta, os patins, aquela camisa, o primeiro boné, um tênis colorido… um olhar daquela pessoa que tanto fazíamos questão de estar por perto, o amigo confidente, ingredientes capazes de brotar uma enorme sensação que mais parecia uma explosão de grandes sentimentos. É verdade que tudo tinha seu preço e seu tempo, o que nunca era o problema. Afinal tínhamos todo tempo do mundo para esperar ou correr a trás de nossos sonhos.

Os dias pareciam voar, eram curtos de mais para tanta atividade e expectativa gerada por tanta adrenalina em nossos corpos. Praticamente se emendavam, não dando espaço para pequenas pausas. Assim eram os nossos dias.

E na frenética correria, muitas coisas deixávamos  para trás, sem respostas ou atenção devida. Afinal, nessa idade a aposta para recuperação ao longo do caminho é uma unanimidade.

O futebol aos domingos, o passeio a São José do Barreiro, a formação dos seletos grupos de amigos, os bailes de formaturas, o baile de debutantes do clube, festas onde tínhamos a oportunidade de rever pessoas que faziam toda a diferença. É bem verdade que na pouca maturidade nem imaginávamos que algumas oportunidades de felicidades passavam em nossa vida sem serem notadas.

O início do curso de direito, aquela visão fantástica da lua cheia, que todos os meses nos presenteava com seu visual impecável. Eram ingredientes que infalivelmente poderíamos chamar de total felicidade. Porém e a essa altura o tempo começava a conspirar com maiores adversidades.

Perdas de pessoas a qual amávamos, rompimentos de relações que até então eram a qualquer juízo incapazes de se separarem. Decisões impensadas, viagens, mudanças, distancias jamais idealizadas. Tudo com seu seu preço e tempo certo.

A um determinado período apenas retratos se tornavam lembranças vivas daquela época.  Muitos daqueles amigos que a um certo momento juravam fidelizar uma amizade, estavam longe. Muitos já casados, outros estudando, haviam também aqueles que já não podiam estar mais conosco e alguns poucos perdidos de nós mesmos.

O descaminho já batia a nossa porta, podíamos senti-lo entre nós. E aqueles que escolheram uma vida melancólica de drogas já não podiam contar com nossa companhia. Não que nos afastássemos, mas por uma decisão pessoal e talvez envergonhados não nos procuravam mais.

Curiosamente quando chegava a época de férias ou feriados prolongados, nos reuníamos para matar a saudade, ver a lua, tocar violão, banhar nos rios, enfim, aproveitar o tempo para colocar a conversa em dia.

Logo ao primeiro relato, percebíamos que apesar da ausência, da saudade e de tantas coisas que tínhamos em comum, existia histórias com tons de felicidades. Pequenas ou grandes conquistas eram motivos de compartilhar com todos  e orgulhosamente, olhares brilhavam de alegria. Fatos ocorridos distante daquele lugar onde achávamos que somente alí pudesse existir a tal felicidade.

Por sua vez, numa cidade onde apenas duas ruas marcavam sua geografia, aqueles que ficaram também compartilhavam um total crescimento, eram felizes e seus filhos tinham as mesmas oportunidades que os nossos de escolher seus próprios caminhos.

A essa altura, felicidade era uma porção de coisas ao mesmo tempo e em todo instante. Começamos enfim a buscar uma definição exata para essa palavra que todo mundo insiste em correr a trás. Felicidade o que seria e onde poderíamos encontra-la?

Mais fácil seja ao invés de achar significados, apenas entende-la, pois ela consiste em um real sentimento capaz de mudar até mesmo o formato de um rosto por um breve sorriso, ou fazer um coração chegar ao seu limite com intrigantes batimentos.

Sabemos também que em determinados momentos, ela nos é tirada sem o nosso consentimento,voltando após um breve período. Nunca nos abandona, pois já nascemos felizes pelo amor que nos foi gerado.

A vida nos ensina que a cada conquista, devemos sempre comemora-la com aquelas pessoas que estão conosco e nos ajudaram ou torceram nessa etapa. Vitórias expressivas ou menos generosas, não importa o tamanho ou sua dimensão. Todas devem e precisam ser compartilhadas, ao menos com a pessoa mais importante de sua vida. Afinal essas pessoas são por natureza eternas torcedoras e não desistem nunca, mesmo no seu eterno silêncio.

Escolas não ensinam felicidades, talvez preocupadas em ocupar sua grade com matérias pré fabricadas, esquecem de formar pessoas. Porém nos rendem a oportunidade de descobrir em cada canto e fora dela que a felicidade é justamente o que nos faz trilhar por esse caminho. As vezes duro, mas necessário. Hora insensato e desumano, mas incapaz de tira-la de nossos planos de vida. Assim é a felicidade.

Mainaldo Medeiros – Texto do novo livro ” Caminhos …

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