13 de dezembro de 2017

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Direito – Veja mitos e verdades

Direito é uma das 10 carreiras mais procuradas do Sisu, ocupando a terceira colocação no total absoluto de inscritos na disputa de uma vaga.

Os jovens podem ter uma visão da carreira de direito apenas com base no que é retratado nas séries de TV ou nos filmes. No entanto, é importante esclarecer que há uma série de mitos cercando a profissão. O G1 ouviu os professores Thiago Bottino, da Fundação Getúlio Vargas (RJ), e Fernando Jaime, da Faculdade de Direito da UFMG, para explicar as principais características da profissão.

O direito é uma das 10 carreiras mais procuradas do Sisu, ocupando a terceira colocação no total absoluto de inscritos na disputa de uma vaga.

Veja abaixo o que é mito e o que é verdade na profissão:

É recomendado fazer estágio desde o início da graduação?

De acordo com os professores ouvidos pelo G1, não. Thiago Bottino, coordenador geral da graduação da FGV Direito Rio, afirma que começar a trabalhar no começo do curso pode atrapalhar o comprometimento e a dedicação aos estudos.

“O ideal é ficar encubado durante um período só na universidade, para que, quando entrar no mercado de estágio, já tenha autonomia e domínio de certas habilidades”, afirma. Ele recomenda que o estudante inicie o trabalho a partir do quarto ano da graduação. Antes disso, somente tarefas burocráticas poderão ser executadas, sem ligação com o exercício do direito.

O advogado Fernando Jayme, diretor da Faculdade de Direito da UFMG, também define o quarto ano como o ideal para realizar o estágio.

“A partir do sétimo período, o estudante estará mais preparado para conhecer o mercado de trabalho e para perceber com quais áreas tem maior afinidade” – Fernando Jayme

É necessário memorizar as leis?

Não. A habilidade exigida não é memorizar a legislação, e sim saber interpretá-la corretamente. “O importante é ler e entender o que está sendo exposto, mesmo sem nunca ter visto aquela lei. Em vez de encher o HD de informações, preferimos que o estudante saiba buscar o dado e entender o sentido dele”, afirma Bottino.

“Memorizar não tem o menor cabimento. Quem decora só sabe reproduzir e isso não resolve nada”, reforça Jayme.

“O bacharel precisa ter a habilidade de compreender uma norma e saber argumentar com base nela”

O próprio curso prioriza uma grade curricular interdisciplinar, que forme alunos com a capacidade de debater e articular conhecimentos de diferentes áreas. Este tipo de tendência substitui as tradicionais aulas expositivas, em que há apenas a transmissão de informações.

Sempre surgem áreas novas do direito?

Sim, há novos ramos de atuação surgindo. Além das grandes áreas, como Direito Penal, Civil e Trabalhista, por exemplo, nascem sub-áreas constantemente. O coordenador Thiago Bottino cita, por exemplo, o campo da moda e do esporte.

“Existe também a área de propriedade intelectual. O direito domina a sociedade, não tem nada que não esbarre em questões jurídicas. Até grandes eventos, como Olimpíada, exigem um profissional desta área”, explica. “É preciso fazer contratos específicos para aquele empreendimento, além de dominar os direitos do atleta e do clube ou a propriedade intelectual envolvida, como direito de imagem nas exibições dos jogos.”

O professor Fernando Jayme cita outras áreas promissoras, como Direito Ambiental, Minerário (principalmente em Minas Gerais, onde se localiza a UFMG) e Direito da Energia (petróleo ou distribuição de energia elétrica).

“Temos também os direitos das minorias, relacionados à identidade de gênero ou à inclusão social, que despertam grandes oportunidades”

Bottino afirma que a pessoa formada em direito não necessariamente será um juiz, um advogado ou um promotor. Existe a possibilidade de trabalhar em empresas de consultoria ou de abrir o próprio negócio.

O curso de direito tem muita teoria?

Sim. “O fundamento teórico vai instrumentalizar o aluno para atuar nas áreas jurídicas. A tendência maior é ter uma formação teórica grande para depois trabalhar a prática”, afirma Fernando Jayme.

Os alunos costumam se surpreender com a carga de teoria. Gabriella Leriam, de 20 anos, estuda no Mackenzie, universidade privada de São Paulo. Ela conta que quase desistiu da graduação no início. “Foi muito difícil. Não em termos de complexidade da matéria, mas de aguentar ir às aulas. O primeiro semestre tem disciplinas introdutórias e teóricas”, diz. No momento, ela está no terceiro semestre. “Agora está ficando bem melhor”, conta.

Daniel Marcos estuda direito na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e concorda com Gabriella. “Achei que fosse ter menos teoria do que teve. Pensei que a parte prática, que estuda os trâmites dos processos, fosse maior. Mas a verdade é que o curso precisa formar também quer ser professor da área”, diz.

A carga de leitura é alta? Precisa ser bom de oratória?

Durante toda a graduação, a carga de leitura é pesada. Os alunos ouvidos pelo G1 reforçam a importância de gostar de ler para escolher essa profissão. Eles também mencionam que habilidades como a oratória e a fluência na escrita podem melhorar o desempenho do universitário, já que há muitas apresentações em grupo e trabalhos que exigem clareza na linguagem.

O coordenador da FGV explica que essas habilidades continuam sendo exigidas no exercício da profissão. “O direito, no modo geral, necessita de um profissional que tenha raciocínio analítico e que saiba e expressar de forma concisa e objetiva, sem perder a densidade do conteúdo exposto”, afirma.

Bottino afirma que a pessoa formada em direito não necessariamente será um juiz, um advogado ou um promotor. Existe a possibilidade de trabalhar em empresas de consultoria ou de abrir o próprio negócio.

O curso de direito tem muita teoria?

Sim. “O fundamento teórico vai instrumentalizar o aluno para atuar nas áreas jurídicas. A tendência maior é ter uma formação teórica grande para depois trabalhar a prática”, afirma Fernando Jayme.

Os alunos costumam se surpreender com a carga de teoria. Gabriella Leriam, de 20 anos, estuda no Mackenzie, universidade privada de São Paulo. Ela conta que quase desistiu da graduação no início. “Foi muito difícil. Não em termos de complexidade da matéria, mas de aguentar ir às aulas. O primeiro semestre tem disciplinas introdutórias e teóricas”, diz. No momento, ela está no terceiro semestre. “Agora está ficando bem melhor”, conta.

Daniel Marcos estuda direito na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e concorda com Gabriella. “Achei que fosse ter menos teoria do que teve. Pensei que a parte prática, que estuda os trâmites dos processos, fosse maior. Mas a verdade é que o curso precisa formar também quer ser professor da área”, diz.

A carga de leitura é alta? Precisa ser bom de oratória?

Durante toda a graduação, a carga de leitura é pesada. Os alunos ouvidos pelo G1 reforçam a importância de gostar de ler para escolher essa profissão. Eles também mencionam que habilidades como a oratória e a fluência na escrita podem melhorar o desempenho do universitário, já que há muitas apresentações em grupo e trabalhos que exigem clareza na linguagem.

O coordenador da FGV explica que essas habilidades continuam sendo exigidas no exercício da profissão. “O direito, no modo geral, necessita de um profissional que tenha raciocínio analítico e que saiba e expressar de forma concisa e objetiva, sem perder a densidade do conteúdo exposto”, afirma.

 “Independentemente do ramo que a pessoa seguirá, ela precisa gostar de ler, de escrever e de falar.”

O Exame de Ordem da OAB define a carreira?

Em muitos casos sim. Ser aprovado no exame é requisito fundamental para que o profissional possa exercer a advocacia. Sem o registro na OAB, ele fica impedido de atuar como advogado.

De acordo com levantamento da organizadora da prova, entre os exames de número II e XVII, foram registradas 1,91 milhão de inscrições e 639 mil candidatos fizeram as provas. Desse contingente, 56% (equivalente a 360 mil) foram aprovados. Para 40% das pessoas (143 mil pessoas), a aprovação foi obtida já na primeira oportunidade.

Advogado ganha bem?

A remuneração dos profissionais formados no curso de direito varia muito. “A média salarial depende do tempo de carreira e da função exercida. Um dado interessante é que o mercado costuma ter oportunidades para o profissional competente, que se destaca”, diz Fernando Jayme. Em um mesmo ramo, há salários diferentes. “Existem advogados criminalistas que cobram mil reais e outros que cobram um milhão”, exemplifica Thiago Bottino.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo estipula valores mínimos de honorários. Veja alguns exemplos:

  • Testamentos: mínimo de R$ 2.126,85
  • Separação judicial com bens para partilhar: mínimo de R$ 4.253,68
  • Adoção: mínimo de R$ 3.097,34
  • Ação penal: mínimo de R$ 4253,68

Um estudo da empresa de consultoria Robert Half estima a remuneração de advogados que trabalham em escritórios em 2017. Veja abaixo as remunerações daqueles que trabalham na área do direito trabalhista contencioso:

Trabalhista Contencioso

Advogado júnior (de 0 a 3 anos de experiência)

  • Empresa de pequeno porte – de R$ 3.000 a R$ 4.500
  • Empresa de médio porte – R$ 3.500 a R$ 5.000
  • Empresa de grande porte – R$ 3.600 a R$ 5.000

Advogado pleno (de 4 a 7 anos de experiência)

  • Empresa de pequeno porte – de R$ 4.000 a R$ 5.200
  • Empresa de médio porte – R$ 4.200 a R$ 6.500
  • Empresa de grande porte – R$ 5.000 a R$ 9.500

Advogado sênior (mais de 8 anos de experiência)

  • Empresa de pequeno porte – de R$ 5.300 a R$ 10.500
  • Empresa de médio porte – R$ 7.500 a R$ 12.000
  • Empresa de grande porte – R$ 7.500 a R$ 13.500

É importante lembrar que o direito não abrange só o trabalho em escritórios – existe a possibilidade também de empreender. “Temos muitos alunos que abriram o próprio negócio”, diz Bottino. Os salários, nesse caso, também variam de acordo com o porte da empresa e sua localização.

Sobre os concursos públicos, há diferentes possibilidades de cargo. A defensoria pública, por exemplo, é uma área em que o advogado concursado defende pessoas que não têm condições de pagar pelo processo. Para se ter um exemplo da remuneração, foi aberto um concurso público para selecionar 25 profissionais como defensores públicos federais, em junho de 2017, e o salário oferecido foi de R$ 22.197,67.

Existem também concursos para magistratura e Ministério Público – que exigem no mínimo três anos de exercício da profissão. Outros cargos são de procurador da república, juiz federal, advogado da União, promotor e delegado de polícia, por exemplo.

Segundo o Supremo Tribunal Federal, o salário bruto de um analista judiciário pode variar de R$ 13 mil a R$ 32 mil. No Ministério Público Federal, a remuneração básica de um analista gira em torno de R$ 15 mil.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, de acordo com o Portal da Transparência, um delegado de polícia tem salário inicial de R$ 17.658,41. Um assessor jurídico no RS tem remuneração mensal de R$ 1526,45.

Fonte da Matéria : Portal G1 / https://glo.bo/2tEUvOl

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